Hoje é um dia que decidimos compartilhar
um pouco sobre como estamos felizes com a chegada do nosso segundo filho, Gabriel.
Desde que a pandemia chegou forte
no Brasil que sabíamos que ele nasceria durante esse período, o que estava nos
deixando apreensivos com esse momento. Em mim se passavam sentimentos contraditórios.
Uma mistura de expectativa, de felicidade, de querer ver o rostinho, de querer
pegar nos meus braços, uma ansiedade gostosa, ao ver que o dia estava cada vez
mais se aproximando. Porém, junto com isso, seguíamos acompanhando a notícia do
avanço do COVID-19. O aumento dos casos, a quarentena, os cuidados que passaram
a ser necessários, o receio do colapso no sistema de saúde, pessoas de círculos
mais próximos começando a adoecer e/ou falecer, etc. Uma apreensão que, por
mais que tentássemos confiar que tudo daria certo, ainda insistia em se
perguntar sobre como as coisas aconteceriam e se conseguiríamos ficar todxs
bem.
Gabriel chegou a este mundo no dia
02 de maio de 2020. Numa manhã de sábado, de parto normal no hospital.
O trabalho de parto começou em casa. Pensávamos que ele poderia nascer em casa, tal como foi com a nossa primeira filhota. Mas, também sabíamos que cada parto é um parto e que cada criança tem a sua história, que isso não está sob o nosso controle.
Depois de algumas horas de trabalho
de parto domiciliar, tivemos que ir para o hospital e essa parte não foi fácil
para mim. Para além de um ideal de querer ter o parto do jeito que achamos o
mais cuidadoso e respeitoso possível, tinha uma vontade de não ir para o lugar
mais arriscado que se tem atualmente com a questão da pandemia. Mas, tal como eu
falei, isso não foi possível controlar. Muitas coisas se passaram ao longo das
duas horas que passamos entre a chegada ao hospital e o nascimento de Biel. Como
o tempo psicológico pode diferir muito do tempo cronológico a depender do que
esteja acontecendo, a sensação que eu tenho é que demorou muito mais do que
isso. Se eu fosse relatar cada coisa que vivi e senti, esse post ficaria maior
do que já ficará. Mas também não falarei muito sobre essa parte aqui porque eu
não considero que foi o mais importante.
Sinto que Gabriel veio num momento de caos para o mundo, mas nasceu de uma forma extremamente calma, serena e também determinado, passando pelas dificuldades da sua chegada de uma forma que me até me ajudou a encarar às coisas de maneira mais serena também. A palavra que me veio à mente no hospital foi “esperança”. Essa palavra não veio à toa. Ao longo de uns 10 dias antes do parto, toda vez que saíamos para tomar banho de sol no nosso jardim aqui em casa, acompanhávamos o crescimento de uma esperança que estava se alimentando do nosso pé de amora. Apesar de não gostar de ela estar comendo nossas folhinhas, por estar apreensivo com o rumo das coisas em relação ao parto, achei que era um bom presságio permanecermos naquela companhia o tempo que pudéssemos.
Quando retornamos do hospital, depois de dois dias internados, percebemos que tinha uma esperancinha que não tínhamos notado até então...rs. Não sei bem como elas se reproduzem, mas na hora pensei: “Temos esperança brotando no nosso jardim! No meio do caos pode existir esperança!”. Esse sentimento permanece em mim e também tocou algumas pessoas que contei a história com mais detalhes.
Sinto que passado o susto do
internamento, passando o medo de contágio (nenhum de nós desenvolveu nenhum
sintoma até agora, mas ainda estamos nos monitorando), o que vai ganhando mais
espaço dentro de mim é a alegria, a gratidão, o sentimento de união que Gabriel
trouxe ainda mais para a nossa família. Vai ganhando mais espaço esse amor enorme
de pai que eu não sei bem como explicar. Só dá para sentir! Vai ganhando mais
espaço o movimento de ir lembrando como foi gostoso ter vivido um monte de
coisas com a nossa primeira filha, a vontade de voltar a ver as fotos e os vídeos
e ver como foi esse crescimento dela e que vamos viver novamente essa dinâmica
gostosa com Gabriel a partir de agora. E ainda vamos ter a Lara, com toda a sua
amorosidade, para vibrarmos ainda mais enquanto família. Vai ganhando mais
espaço ver, novamente o quanto Gabriel é a cara do pai, assim como Lara (foi
mal, amor. Juro que não torço para que seja assim, mas confesso que adoro também!!!
Rsrsrs)
Seja bem-vindo, meu filho! Papai já
te ama muito.
Se prepara que esse mundo em que
vivemos anda meio de cabeça para baixo, mas isso não deve ser muito problema
pra quem nasceu cefálico e de parto normal que nem você e a sua irmã...rsrs
Mas hoje também é um dia especial
não somente por esse compartilhar do nascimento de Biel. Hoje também é um dia importante
por ser o primeiro dia das mães, depois desse crescimento da nossa família.
Queria muito te agradecer, Bel,
por seres a mulher e mãe que és! Nesse parto me conectei de maneira ainda mais
forte com o sentimento de honrar a mulher que escolhi como companheira de vida.
Ao longo de mais de 16 anos, estamos construindo uma história que me muito me orgulha
em vários aspectos. Quando eu brinco que a cada filho que nasce, renovamos
nosso relacionamento por, no mínimo, mais 18 anos, não é por uma questão moral
e nem porque eu acho que esse é um tempo bom para cuidar dos pequenos. É porque
sinto que em mim se renova o amor que sinto por ti desde o começo da nossa relação
e que vai ganhando outros contornos, outras felicidades que não é somente de
sermos um casal, mas sim de estar vivendo algo muito precioso e profundo nas
nossas vidas. Quando nossos filhos nascem, a sensação que eu tenho é como se
eles atestassem, comprovassem, fossem a prova viva deste nosso amor que nem
sempre dá para se mostrar de maneira tão concreta (os chorinhos de madrugada
são bem concretos mesmo...rsrsrs). Como sempre falo, nem tudo são flores. Sabemos
disso desde o começo. Mas acho que temos sabido aprender e crescer com as
dificuldades que têm aparecido e desfrutado de tantas coisas boas que a nossa relação
tem nos proporcionado.
Eu tenho certeza que conseguiria
encontrar um sentido muito bom e profundo para a minha vida se eu não tivesse
te conhecido e se não tivéssemos nos relacionado. Porém, olho para tudo que
estamos construindo juntos e reforço o que eu falei no dia do nosso casamento: “Eu
não queria estar em nenhum outro lugar que não fosse aqui do teu lado!”. Muito
bom saber que não é uma necessidade, que eu não preciso estar com você para
viver, mas que essa é a minha escolha ao longo desses anos e que continua sendo
a escolha que faz muito sentido pra mim.
Amo quem tu és. Amo quem eu sou
contigo. E amo ainda mais quem somos juntos com os nossos filhotes.
Simbora que ainda tem muita coisa
pra gente viver!



Linda homenagem Gui♥️ Como sempre, falas com as palavras certas, sensibilidade e emociona a todos.
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